Caminho Alegre da Boa Fortuna
O Completo Caminho Budista à Iluminação
Por Geshe Kelsang Gyatso
Buda demostrou como seguir o caminho de transformação interior que leva até à completa erradicação de todos os traços de negatividade e confusão da mente e ao alcance de qualidades sublimes tais como compaixão universal e a sabedoria que realiza a verdadeira natureza de todos os fenômenos.
Durante sua vida ele deu muitos ensinamentos revelando as práticas que levam a essa realização da iluminação. Mais tarde, o grande Pandita Indiano Atisha dispôs todos esses ensinamentos na ordem em que devem ser praticados. Esse arranjo especial tornou-se conhecido como os Estágios do Caminho à Iluminação, ou Lamrim.
No Caminho Alegre à Boa Fortuna, Geshe Kelsang provê um comentário sistemático, passo a passo, a esses ensinamentos tornando-os completamente acessíveis ao leitor moderno.
É um compêndio inestimável de todas as práticas Budistas essenciais.
“Este livro é inestimável.” — WORLD RELIGION
Extrair o Máximo Proveito de Nossa Vida Humana
Quando meditamos no grande valor e na raridade desta preciosa vida humana, fazemos a meditação analítica que nos faz gerar a forte determinação de não desperdiçar nem um minuto de nossa vida humana e de usá-la plenamente, colocando o Darma em prática. Quando essa determinação surge com clareza em nossa mente, devemos retê-la como objeto de meditação posicionada, familiarizando-nos cada vez com ela.
Embora tenhamos uma preciosa vida humana com todas liberdades e dotes, ainda assim podemos achar difícil praticar o Darma puramente, pois talvez não tenhamos outras liberdades, como o tempo para nos dedicar ao estudo e à meditação.
É raro encontrar alguém que possui todas as condições ideais. No entanto, o impedimento mais grave ao nosso desenvolvimento espiritual é não conseguir o forte desejo de praticar. Je Tongkhapa disse que, para gerar o desejo de tirar o pleno partido desta vida com todas as suas liberdades e dotes, devemos meditar em quatro pontos:
Preciso praticar o Darma,
Posso praticar o Darma,
Tenho de praticar o Darma nesta vida,
Tenho de praticar o Darma agora.
Para gerar o desejo de praticar o Darma, começamos por reconhecer a necessidade de fazê-lo. Para isso meditamos:
Preciso praticar o Darma porque quero ser feliz e evitar o sofrimento, e a prática do Darma é o único método perfeito pra atingir tais alvos. Se fizer isso, eliminarei todos os meus problemas e me tornarei capaz de ajudar os outros.
Embora entendendo a necessidade de praticar o Darma, ainda assim podemos pensar que não somos capazes de fazê-lo. Para superar tal hesitação e nos convencer de que, por termos todas condições necessárias, certamente somos capazes de praticar o Darma, meditamos:
Agora tenho uma preciosa vida humana com todas as suas liberdades e dotes. Também disponho de todas as condições exteriores indispensáveis, como ter uma Guia Espiritual plenamente qualificado. Não existe nenhuma razão que me impeça de praticar o Darma.
Apesar de entender a necessidade de praticar o Darma e nos sentirmos capazes de fazê-lo, podemos continuar a adira, pensando que iremos praticar em alguma vida futura. Para superar a preguiça de procrastinação, devemos lembrar que, por ser muito difícil de obter outra preciosa vida humana, temos de praticar agora, nesta vida.
Mesmo percebendo que temos que praticar na vida atual, ainda podemos achar que a prática pode ser adiada até a aposentadoria. Para superar tal acomodamento, precisamos lembrar que a hora da morte é totalmente incerta; assim sendo, a única hora de praticar é precisamente agora.
Desse modo, chegaremos a quatro resoluções:
Vou praticar o Darma,
Posso praticar o Darma,
Vou praticar o Darma nesta vida,
Vou praticar o Darma agora mesmo.
Essas quatro resoluções são inestimáveis, porque nos fazem gerar o desejo espontâneo e constante de aproveitar plenamente nossa preciosa vida humana. Esse desejo é nosso melhor guia espiritual, pois nos conduz ao de caminhos espirituais corretos. Sem iss, por mais que os outros nos aconselham ou incentivem, não iremos praticar o Darma.
Certa ocasião, Aryadeva e Ashvaghosa estavam prestes a iniciar um debate. Ashvaghosa estava em pé na ssoleira da porta, com um pé dentro e outro fora. Para testar a sabedoria de Aryadeva, ele indagou: “Estou saindo ou entrando?”. Aryadeva disse: “Depende de tua intenção. Se quiseres sair sairás. Se quiseres entrar, entrarás”. Ashvaghosa nada pode replicar, pois o que dissera Aryadeva estava perfeitamente correto.
© Geshe Kelsang Gyatso & Nova Tradição Kadampa